Este país, jardim à beira mar plantado, é de facto uma terra de poetas, senão vejamos
estas quadras populares que estavam nos vasos dos
manjericos, que se venderam na noite de S. João.
Um abraço
M. Quintella
Deste-me um beijo, Manel, Pelo Santo António
vi-te,
Na noite de S. João . Pelo S. João fui falar-te
Deus queira que tanto mel No S. Pedro convenci-te,
Não traga nenhum
ferrão. Falta um santo para deixar-te.
Deixa falar quem desdenha Eu tenho mais liberdade
Da fogueira que acendemos. Que o balão no firmamento
Tu deste o lume, eu a lenha Eu ando à minha vontade
Ao mundo nada devemos. E não ao sabor do
vento….
Não sejas tão presumida Ontem, lenha cobiçada.
Oh fonte do meu lugar ! Hoje, fogueira
acendida.
Olha que há sedes na vida Amanhã , chama
apagada.
Que não podes apagar !..... E depois….. cinza
esquecida….
Sais de mansinho e eu fico A nossa rusga é
modesta
A pensar se, por acaso , Mas lá vai toda
contente
Teu viçoso manjerico Mostrando
dentro da festa
Não tem rega noutro vaso ! Que a festa é dentro da
gente !
Não chora a
fonte à pedrada
Que a sua face
maltratada,
Que o luar da madrugada
Vem pôr-lhe
pensos de prata…
O eco duma cantiga,
Na noite de S. João,
Pode ser aquela espiga
Que dá flor, farinha e pão.
Pus o cravo na lapela
Esta noite, meu Santinho.
E
debruçado à janela
Fiz da saudade o caminho !.......
Melhor rusga não consigo
Levar-te, meu S. João…..
Quinze filhos vão comigo
E ainda vou de balão !.....